Resumo dos PCN de Arte – anos iniciais

Parâmetros Curriculares Nacionais volume 6 – Arte – Anos iniciais do ensino fundamental

 

O professor de 1º a 5º ano tem formação em pedagogia, não em arte. Apesar de constar na grade curricular do curso, ainda resta muitas dúvidas sobre o que e como ensinar. Nesse caso, a leitura dos parâmetros curriculares de arte é essencial e ajudará o professor a responder os seguintes questionamentos:

  • Quais conteúdos selecionar?
  • Que habilidades meus alunos precisam desenvolver?

Mas antes de formar opiniões sobre esse assunto, é preciso rever alguns conceitos.

As aulas de arte são importantes para o desenvolvimento da criança e para a formação desse indivíduo como cidadão. Nesse processo, o professor precisa ser um modelo a ser seguido, portanto, é preciso levar a sério as aulas de arte e ter objetivos bem definidos e não fazer desse um momento de “aula livre”.

Entendido isso, vamos ao resumo do livro.

A caracterização da área traz uma breve história da arte na humanidade e como era ensinada nas escolas com o passar dos alunos.

Panorama global:

É importante lembrar que a arte esteve presente desde os registros mais antigos da humanidade, por meio das pinturas rupestres. Daquela época até os dias atuais foram vários os movimentos artísticos que mudaram a concepção de arte no mundo.

No Brasil um dos movimentos mais importantes foi a Semana de Arte Moderna que aconteceu em 1922, onde músicos, dançarinos, pintores e escritores revolucionaram a forma de encarar a arte brasileira.

Panorama educacional:

Na educação, durante a primeira metade do século XX, as disciplinas Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto Orfeônico (canto coral) eram ministradas em escolas primárias e secundárias, transmitindo padrões e modelos das culturas predominantes visando o domínio técnico

Até os anos 60, existiam poucos cursos de formação de professores nesse campo e professores de quaisquer matérias ou pessoa com alguma habilidade na área poderiam assumir as disciplinas de Desenho, Artes Plásticas e Músicas

Somente com a LDB de 1971 é que a arte foi incluída no currículo escolar sob o título de Educação Artística, mas não era uma disciplina e sim uma “atividade educativa”. Nessa época, preocupava-se com o processo criador, o “deixar fazer” sem nenhum tipo de intervenção. Por isso era comum os alunos colorirem desenhos mimeografados e fazerem “desenho livre”.

Com a LDB de 1996, vigente até hoje, a Educação Artística é considerada obrigatória na educação básica e em 2005 o nome da disciplina mudou de “Educação Artística” para “Arte”.

Objetivos – Para que ensinar arte nas escolas?

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de arte têm como objetivo orientar a prática pedagógica para alcançar uma educação de excelência.

As aulas de arte precisam desenvolver no aluno a sensibilidade, percepção, imaginação, pensamento crítico e dimensão social das manifestações artísticas. Além disso, todo indivíduo precisa conhecer e respeitar a arte de outras culturas.

Portanto, o professor precisa criar situações de aprendizagem em que a criança precise aprender a observar, ouvir, atuar, tocar e refletir. Isso porque muitos alunos não têm oportunidade de entrar em contato com a arte em casa, então a escola é o lugar que vai oferecer essa experiência.

Vale ressaltar que ama obra de arte não é mais avançada, mais evoluída, nem mais correta do que qualquer outra. Cada obra foi produzida durante um período histórico, em lugares diferentes e influenciada por culturas diferentes. Toda obra tem o seu valor.

Conteúdos – Então o que devo ensinar?

Como disciplina escolar a arte é dividida em quatro modalidades artísticas: Artes Visuais, Música, Teatro e Dança. O conjunto de conteúdos está articulado dentro do contexto de ensino e aprendizagem de 3 eixos norteadores: PRODUÇÃO, FRUIÇÃO E REFLEXÃO.

A produção está relacionada ao fazer artístico, ou seja, possibilitar que o aluno produza arte.

Fruição é a apreciação significativa da arte. Ao entender o contexto histórico de uma obra, conhecer aspectos da vida do autor e entender os níveis de dificuldade para criação daquilo, o aluno vai aprender a enxergar uma obra de arte com outros olhos.

E a reflexão é a construção de conhecimento sobre o trabalho artístico, entender a arte como produto da história e da multiplicidade das culturas humanas.

A intenção não é criar músicos, dançarinos ou pintores. Mas formar um adulto que conhece e respeita movimentos artísticos de quaisquer povos, aprecia a arte, tem suas opiniões e preferências.

Os PCN de arte não definem qual modalidade artística deve ser trabalhada em cada ciclo, aumentando a autonomia das escolas nesse sentido. Porém, há sugestões sobre como trabalhar cada modalidade:

  • ARTES VISUAIS

O professor deve levar para a sala de aula as formas tradicionais como pinturas, esculturas, desenho e gravura. Há também novas modalidades de artes visuais, que surgiram com os avanços tecnológicos, que podem ser exploradas como fotografia, cinema, televisão, animações e artes gráficas.

Dentro dessas modalidades é necessário considerar técnicas, materiais utilizados, procedimentos, informações históricas, relações sociais e culturais.

  • DANÇA

A atividade da dança na escola pode desenvolver na criança a compreensão de sua capacidade de movimento, mediante um maior entendimento de como seu corpo funciona. Assim, poderá usá-lo expressivamente com maior inteligência, autonomia, responsabilidade e sensibilidade.

Criar situações que envolvam dança levará o aluno a observar e apreciar atividades de danças para desenvolver seu olhar, fruição, sensibilidade e capacidade analítica, estabelecendo opiniões próprias. Jogos populares de movimento, cirandas, amarelinhas e brincadeiras no geral são ricas fontes de pesquisas e deixarão as aulas mais interessantes e divertidas.

  • MÚSICA

Nessa modalidade o ideal é trabalhar com interpretações, improvisações, pesquisa sobre fontes de registro (partitura, CD, discos, etc.), movimentos musicais e obras em diferentes épocas.

A diversidade permite ao aluno a construção de hipóteses sobre o lugar de cada obra no patrimônio musical da humanidade. Portanto, é importante trazer músicas que marcaram história, mas também é possível discutir sobre músicas da atualidade, inclusive abrindo espaço para o aluno trazer música para a sala de aula, contextualizando-a e oferecendo acesso a obras que possam ser significativas para o seu desenvolvimento pessoal.

  • TEATRO

O teatro já faz parte da infância inconscientemente por meio dos jogos de faz-de-conta. Essa é a forma da criança entender e interpretar o mundo adulto.

O papel da escola é enriquecer esse repertório infantil acrescentando diversas formas dramatizadas como teatro em palco, circo, teatro de fantoches, entre outras.

Durante essas atividades o aluno fará uso da imaginação, percepção, emoção, intuição, memória e raciocínio. Além disso, no plano coletivo, o teatro oferece o exercício das relações de cooperação, diálogo, respeito, autonomia e solidariedade.

Critérios de avaliação – Como avaliar em Arte?

Um critério comum a todas as modalidades artísticas é o reconhecimento, apreciação e respeito a, basicamente, todo tipo de arte. Além disso, o que vai ser avaliado é o empenho e progresso dos alunos na atividade proposta, não sua atuação em si. Isso porque indivíduos têm aptidões e habilidades diferentes.

Para avaliação em artes visuais o professor precisa observar a produção artística, se o aluno consegue criar ou reproduzir utilizando técnicas, buscando sempre melhorar e se superar.

Em dança, o professor levará em consideração o comportamento em grupo: como o aluno interage, se coopera, se ajuda quem tem dificuldade. Essa modalidade também proporciona o conhecimento do próprio corpo nas formas de movimentação e limites. Esse conhecimento precisa ser explorado pelos alunos e, posteriormente, avaliado pelo professor.

Para avaliar o desempenho em música o educador precisa criar situações de aprendizagem em que o aluno precise compor, interpretar e improvisar. O que será levado em consideração é o empenho e a superação das dificuldades.

Na avaliação de teatro o professor vai observar se o aluno consegue se expressar na linguagem dramática e, principalmente, seu comportamento em grupo. Os pontos a serem observados são: interação em grupo, companheirismo, esforço, trabalho em equipe e colaboração.

Orientações didáticas – Dicas para tornar as aulas mais interessantes 

A primeira sugestão é que o professor leve para sala de aula elementos que contribuam para o aprendizado artístico, como textos imagens pesquisas sobre artistas locais vídeos, exposições, etc.

Também é muito importante conhecer a história da arte, as mudanças das técnicas utilizadas. Isso ajudará a situar o aluno tornar ao aprendizado mais significativo.

Dentro dessas orientações didáticas foi separado um subcapítulo para falar sobre temas transversais. São eles: ética, meio ambiente, saúde, pluralidade cultural e orientação sexual.

Inserir a pluralidade cultural nas aulas de artes é bem fácil, pois o Brasil é muito rico em diversidade cultural. Então ao abordar a história da arte dentro da modalidade trabalhada em sala o professor fará uma contextualização cultural.

Para abordar o tema orientação sexual o professor pode estimular os alunos a observarem como eram retratados o homem e a mulher na obra em estudo. A mesma lógica serve para Meio Ambiente e Saúde, além de utilizar as produções dos próprios alunos.

E o trabalho com ética se dará nos trabalhos em grupo. Além disso, é possível dramatizar alguma situação para causar reflexão nos alunos.

Uma das modalidades de orientação didática é o trabalho por projetos. Um projeto caracteriza-se por ser uma proposta que favorece a aprendizagem significativa porque permite a participação dos alunos e, dessa forma, eles ficam mais motivados a aprender. A eleição do projeto é feita em conjunto com a turma levando em consideração os objetivos de cada ciclo, as crianças contribuirão fazendo pesquisas sobre o tema escolhido e o produto final precisa ser concreto, como um livro de arte, um vídeo ou uma apresentação.

Exemplificando: Uma professora do 4º ano precisa trabalhar teatro em Arte e em História está ensinando sobre a escravidão. Ela pode criar um projeto unindo esses conhecimentos e ensaiar uma apresentação sobre escravidão. Durante a montagem da peça teatral, os alunos precisam pesquisar sobre escravidão, a professora pode unir conhecimentos sobre Língua Portuguesa e trazer textos que remetam ao tema e a turma pode assistir à alguma apresentação fora da escola. Como produto final eles podem fazer uma apresentação para toda a escola, para que outros alunos aprendam sobre o tema escolhido por eles.

Bom, esse foi o resumo. Está bem completo e espero que você tenha ajudado você. Para mais informações visite o meu canal no YouTube: Educação Futuro

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Dica de livro infantil para comemorar o folclore

Hoje, 22 de agosto, dia do folclore, deixo aqui uma dica de literatura infantil: Lobisomem.

Este livro é da coleção Itaú e conta de uma forma bem humorada a lenda do lobisomem. Na minha opinião, é uma leitura para crianças a partir de 5 anos, pois, apesar de contar com detalhes sobre a lenda, as ilustrações são muito bonitas e dão leveza à história de terror.

Outro detalhe importante!

A fonte usada no livro é caixa alta, ajudando a leitura nas fases de alfabetização.

Sobre a coleção Itaú de livros infantis:

Mais ou menos uma vez por ano o Itaú abre inscrições no seu site para pessoas que querem receber os livros da coleção em casa. São dois livros por pessoa e você precisa estar com o CPF em mãos.

Leia para uma criança e ajude a manter vivo o nosso folclore!

Dica de Literatura Infantil: Os fantásticos livros voadores de Modesto Máximo

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Recebi este livro na biblioteca em que trabalho em 2017 e as ilustrações chamaram a minha atenção. Comecei a ler. Terminei. Adorei.

A história é sobre Modesto Máximo, um homem que adorava histórias. Até que um dia o vento soprou suas palavras e ele ficou sem rumo.

O livro conta de uma forma mágica como a leitura pode mudar a vida das pessoas e que boas histórias são criadas para serem compartilhadas. Uma história para encantar crianças e adultos!

Esta obra faz parte da coleção de livros do PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa). Procure na biblioteca mais próxima e mude a vida de uma criança.

O que são PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais?

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Afinal, o que são os PCN? 

 

      Trata-se de uma coleção composta por dez volumes que constituem um referencial para a educação de qualidade no ensino fundamental. Tem a função de orientar a ação pedagógica das escolas públicas e particulares e até mesmo a prática em sala de aula.

         Apesar de ser válido para todo o país, contém uma proposta flexível e adaptável a qualquer região do Brasil e não é de uso obrigatório.

        Para sua elaboração, houve uma discussão no âmbito nacional onde participaram docentes de universidades públicas e particulares, especialistas de diversas áreas do conhecimento e educadores. Ao final, 32 pessoas participaram da elaboração, Délia Lerner e César Coll (grandes nomes da área pedagógica) prestaram consultoria e 183 obras bibliográficas foram consultadas para a composição dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

        A criação dos PCN surgiu da necessidade de oferecer uma educação de qualidade à população, já que pesquisas apontaram grande taxa de repetência e evasão escolar em 1992.

         Durante as décadas de 70 e 80, a principal preocupação do Estado era oferecer acesso à escola para a população. Por isso, houve uma grande expansão na rede de escolas de educação básica.

       Porém, só fornecer a vaga na escola não era suficiente. Os alunos precisavam permanecer na escola e se formarem com qualidade.

          A primeira mudança veio por meio da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, onde são definidos os conteúdos mínimos e o dever do poder público é ampliado, principalmente em relação ao ensino fundamental. Em 1997 são publicados os Parâmetros Curriculares Nacionais.

       A proposta dos PCN é proporcionar educação de qualidade para todo o país orientando os professores. E levando em conta as peculiaridades de cada região, as sugestões e objetivos são amplos e podem ser adaptados de acordo com a necessidade de cada município, bairro ou escola.

“Se existem diferenças socioculturais marcantes, que determinam diferentes necessidades de aprendizagem, existe também aquilo que é comum a todos, que um aluno de qualquer lugar do Brasil, do interior ou do litoral, de uma grande cidade ou da zona rural, deve ter o direito de aprender e esse direito deve ser garantido pelo Estado.” (PCN, p. 28)

     Todos os livros contêm: Caracterização das Áreas, Objetivos, Organização dos Conteúdos, Critérios de Avaliação e Orientações Didáticas.

  • Caracterização da área: breve histórico sobre como era vista aquela área de conhecimento anos atrás e como é atualmente.
  • Objetivos: tendo em vista a formação integral do indivíduo, os objetivos têm a função de ajudar o desenvolvimento de capacidades cognitivas, físicas, afetivas, inserção social e ética.
  • Organização dos conteúdos: os conteúdos são abordados em três categorias:

– Conteúdos conceituais: referem-se aos conceitos e princípios que o aluno precisa adquirir ao entrar em contato com um novo conhecimento.

– Conteúdos procedimentais: “saber fazer”, colocar em prática o conhecimento adquirido.

– Conteúdos atitudinais: são atitudes, valores e normas que a criança desenvolve em casa, mas também na escola. A aprendizagem de atitudes requer prática constante e o professor precisa orientar os alunos e servir de modelo.

  • Critérios de avaliação: os PCN consideram a avaliação como uma orientadora da intervenção pedagógica, diferente da escola tradicional onde esta tinha a função apenas de medir o conhecimento do aluno.

      A avaliação precisa ser contínua, acompanhando o progresso dos alunos. Vale ressaltar que é possível utilizar diversos códigos para avaliar, como o escrito, oral, gráfico, numérico, etc.

  • Orientações didáticas: auxiliam o professor a criar situações de aprendizagem, coerentes.

      Levando em conta que os alunos têm ritmos diferentes de aprendizagem, os Parâmetros Curriculares Nacionais adotam a proposta de estruturação por ciclos, onde o aluno terá mais tempo de construir conhecimentos que ainda não estejam consolidados.

        Estes são os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental. É uma leitura fácil, conversam muito com a realidade do cotidiano do professor e trazem sugestões de atividades coerentes e possíveis de aplicar em quaisquer escolas.